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terça-feira, 1 de julho de 2014

Slightly Damned

Tenho de admitir uma coisa: eu não gosto de histórias de fantasia. Contos sobre cavaleiros, donzelas, elfos, magia e guerras nunca me interessaram muito, sempre me deixando com sono logo após o primeiro capítulo...
Uwahh... *zzzzz*

Sabendo disso, é interessante notar que foi uma história muito bem-bolada deste gênero que me introduziu à fandom! Deixa eu explicar: tudo começou em 2010, quando eu, navegando pela internet, descobri uma webcomic fantástica e a pessoa que a escrevia e desenhava, uma mulher conhecida na internet como Chu (nome verdadeiro: Sarah Wilson). Depois de me atualizar na história, resolvi dar uma passeada pelas galerias de arte da artista, e acabei me topando com essa imagem: 

O começo de tudo...
Foi amor à primeira vista! Desde pequeno, eu queria criar um vilão que amasse todo tipo de sujeira e poluição, mas eu nunca soube qual seria a imagem; a aparência física dele. Já conhecendo a infâmia que cangambás tem, eu imediatamente associei meu conceito de personagem à espécie, e especificamente a esta imagem. Comecei a imaginar histórias involvendo o personagem (chamado Bierko), mas nada fiz para divulgá-las, nem mesmo entre minha família e amigos.

Uma representação artística da Chu (e dois de seus quatro gatos) feita pela própria.
Algum tempo depois, conheci o criador de Bierko nos fóruns oficiais da webcomic, e comecei a conversar com ele pela internet. Para minha surpresa, o personagem é completamente diferente do que eu imaginava - ele nasceu sem as glândulas de cheiro características da espécie, fazendo-o incapaz de cheirar mal e subsequentemente virando todo o "meu" personagem de cabeça para baixo! Conversando com ele, acabei solidificando meu personagem em forma da minha primeira fursona, Samuel Faetoria, é o resto é história...

O primeiro desenho de Samuel, que eu ganhei de um sorteio ao vivo no fim de 201... Meu deus!  Parece que foi ontem!
Agora que eu já contei minha história, vamos voltar ao assunto deste post; a webcomic que Chu escreve e desenha desde 2004 e que cativou muitos furs e não-furs (inclusive eu): Slightly Damned, uma história sobre vida e morte, céu e inferno, amor e ódio, passado e futuro e tudo mais.

Capa da 2ª edição impressa da webcomic, a venda na loja de quadrinhos idependentes IndyPlanet. Os muitos personagens mostrados aqui são apenas uma pequena parte do enorme elenco da história!
Segundo a autora, Slightly Damned é "uma história em quadrinhos focada em história em um mundo de fantasia, com comédia , romance, drama e um bocado de violência e palavrões", mas ela é muuuuuuito mais que isso! SD, na minha opinião, é a melhor história de fantasia de todos os tempos, virando praticamente todos os arquétipos e conceitos do gênero - anjos, demônios, magia, religião - de pernas pro ar. A primeira página já começa com um fim - o fim da vida de Rhea Snaketail, uma jakkai rebelde que cresceu em uma comunidade rural isolada e que, ao contrário dos outros membros da sua espécie, nunca foi muito religiosa.

Agora você sabe porquê o sobrenome dela é Snaketail, né?
Ao morrer de assassinato, ela (ou melhor, sua alma) conhece a Morte, e é aí que as coisas complicam um pouco: Seu egoísmo, senso de humor sarcástico e cínico, falta de fé e vocabulário indecente certamente a mandariam para o Inferno, porém no fundo de sua alma imunda está um coração de ouro repleto de virtudes, o que lhe garantiria uma confortável estada eterna no Céu se não fosse pelos fatores indicados acima. Seu emaranhado de virtudes e pecados a levariam ao Purgatório, mas como ela sempre foi mais próxima do Lado Negro Da Força©, a jakkai é "condenada" ao Círculo Dos Levemente Impuros (Ring Of The Slightly Damned; por isso o nome da webcomic), uma região do submundo localizada fora dos Portões Do Inferno praticamente desérica e que quase ninguém conhece.

O julgamento de Rhea, na 3ª página da comic.
Ao atravessar o Rio Esfinge (o mundo da comic é inspirado pelas mais diversas mitologias, principalmente pela grega e nóridca) e chegar lá, Rhea é introduzida ao "torturador" responsável por lhe proporcionar seu castigo eterno, um jovem demônio de fogo conhecido como Buwaro. No mundo de Slighlty Damned, os quatro elementos básicos - fogo, água, terra e ar - são uma parte essencial da cultura, religião e sociedade, e demônios em particular são dividos em quatro "espécies" com personalidades, aparências e habilidades diferentes pelo elemento que cada um domina magicamente. Demônios de fogo, com seu temperamento estressado e violento, sua paixão por carnificina e suas habilidades mágicas acima da média, são considerados os melhores e mais brutais torturadores de todo o Inferno, mas Buwaro... Bem, vamos dizer que Buwaro não é bem assim.


Ele não é fofo?
Buwaro é um "garoto" de 16 anos fraco, frágil, sensível, carinhoso e extremamente estúpido que passou sua vida toda no Círculo, só com a Morte (que é extremamente amigável, ao contrário do que sua aparência e cargo sugerem) e sua "pedra de estimação", Thadius, como amigos e que não tem a mínima idéia de como ser, cê sabe, demoníaco. Ele vê Rhea - sua primeira vítima - como um presente de aniversário e uma nova amiga, e ela prontamente revide a felicidade do jovem o chamando de - palavras exatas! - retardado. Isso inicia uma série de abusos e xingamentos entre os dois que só é interrompida pela visita da irmã mais velha de Buwaro, Sakido.

Sakido é uma ex-soldada de elite do Inferno que estranhamente cansou de praticar o mal um dia desses e se mudou para o pico mais alto da cadeia de montanhas do Círculo Dos Levemente Impuros a fim de viver mais "perto" de seu irmãozinho. Fria, calada, mal-humorada, pensativa e extremamente habilidosa em magia de vento/elétrica e magia negra - características que ela compartilha com todos os demônios de vento, considerados os mais "cerebrais" do submundo -, Sakido inicialmente estranha a presença de Rhea (e o fato de que Buwaro, de todos os demônios do Inferno, foi escolhido para torturá-la), mas com o tempo (e algumas confusões) ela demonstra ser uma excelente irmã para o jovem demônio de fogo e, de quebra, uma grande amiga para a jakkai, a guiando em sua vida-após-a-morte com seu irmão. Ao fim de sua primeira visita, ela avisa a Buwaro e Rhea que o irmão mais velho da "família", Iratu, supostamente iria tirar uma folga de seu trabalho no Inferno (o verdadeiro, com fogo eterno, enxofre e tudo mais) para passar algum tempo lá no Círculo, e olha só quem chegou logo depois!


Deixei a imagem maior do que o normal para destacar o tamanho dele :P
Iratu é um ENORME demônio de terra extremamente cotado e respeitado no Inferno, o que é estranho,  já que ele é o maior alcoólatra do submundo! O irmão mais velho de Sakido e Buwaro está perpetuamente bêbado, o que torna sua (pouca) convivência com o resto de sua família complicada. O demônio ama Rhea, seus irmãos e tudo à sua volta, mas não tem a mínima idéia de quão grande e forte ele é (todos os demônios de terra de Slightly Damned são gigantescos, mas Iratu é ainda maior que o normal), o que causa altas confusões quando há uma "reunião de família". Sua primeira visita a Rhea e Buwaro é breve, mas um dia depois Sakido os manda roubar/pegar um "documento importante" dele, lá no Inferno, e é aí que as coisas ficam estranhas...
Sakido manda Rhea e Buwaro ao Inferno não só para pegar o "documento" de Iratu, mas também como punição pelo último ter comido seu bonsai, pensando que era brócolis.
Depois de escaparem por um triz do Inferno, Rhea e Buwaro escapam do submundo junto de Sakido (com consequências trágicas), adotam uma coelhinha de estimação, se disfarçam de canalhas, e, juntos de uma nova companheira muito especial, descobrem um segredo que abala completamente suas noções de história...


As quatro raças de Medius (o mundo mortal de Slightly Damned; literalmente "o meio" em latim).
É apenas uma questão de tempo para que os três "amigos" embarquem em uma louca jornada por toda Medius com a família de comerciantes ambulantes Sinclair/Kailum e com eles conheçam um mundo de personagens e histórias bizarros e/ou cativantes, e é isso que Slightly Damned tem de melhor... Além da arte, é claro! O estilo de arte "comum" de Chu é fantástico, com excelentes proporções, detalhes minunciosos (o que é muito importante em SD) e um excelente uso de luz e sombra, coisa rara em webcomics.

Esta página de 2011 é uma das primeiras a usar o esttilo de arte mais recente de Chu, e subsequentemente uma das primeiras a usar sombreamento dinâmico que atualmente é uma das marcas registradas de seu trabalho. 
Outro aspecto notável da artista é o quão ela é flexível. Sarah está sempre experimentando novas técnicas e materiais de desenho dentro e fora da comic, e sua galeria no dA e FA pode ser claramente dividida em cinco categorias distintas: goofy (personagens chibi e pouco ou nenhum sombreamento), VGL (mais parecido com seu estilo tradicional, mas com uso intenso de sombras pesadas), simple cel (o oposto do VGL), painted (feito usando o Paint Tool SAI; caracterizado por "pinceladas" aparentes e coloração sutil) e o estilo "tradicional" de Slightly Damned. De vez em quando, Chu também mexe com técnicas de desenho mais "tradicionais" como canetinhas hidrocor, aquarelas e papel kraft (um tipo de papelão apropriado para desenho), e, surpreendentemente, sua habilidade no Photoshop e SAI se converte perfeitamente para o meio físico.
Um de meus desenhos favoritos de Chu, feito inteiramente com papel kraft e canetinhas.
A mitologia de Slightly Damned também é muito complexa e bem-feita. Suas interpretações do Céu e do Inferno merecem destaque, sendo bem diferentes das de qualquer religião tradicional - anjos, por exemplo, nascem com cabelo branco-neve, tingindo-os com a cor de seu elemento ao completar 15 anos e passar por um teste, que também lhes dá suas asas. Também há evidências que apontam para a existência de uma sociedade e hierarquia bem-organizada (mas rígida) no Inferno, o que é surpreendente considerando a reputação que o lugar tem. A compreensão do enorme mundo de SD não é necessária para a apreciação da comic, mas saber sobre os Doze Guardiões e Três Deuses, além das características e costumes de cada raça e espécie, facilita a resolução "antes da hora" de muitos dos mistérios e desafios que os protagonistas (e, subsequentemente, os leitores) enfrentarão em sua jornada por Medius.

Perceberam como eu deixei alguns pontos "vagos" em minhas descrições? Eles estão aí de propósito, pois SD é uma história repleta de suspense e reviravoltas, e eu evitei dar spoilers nelas com todo o meu coração. A única relação que a comic tem com a fandom realmente são os demônios e suas aparências e características animalescas (Chu especificamente declara que suas criaturas não foram inspiradas em animais, mas sim em diversos aspectos marcantes de sua infância e adolescência, como Pokémon, Zelda: Ocarina Of Time e Usagi Yojimbo), embora a artista/escritora mantenha uma boa relação com muitos furs. Isso é tudo que eu tenho de falar sobre Slightly Damned pra vocês, pessoal! Até o próximo post!


sábado, 11 de maio de 2013

Grandville, a saga furry de Bryan Talbot

Com a maturização da audiência dos quadrinhos americanos nos anos 80, as graphic novels européias se popularizaram internacionalmente e uma nova onda de autores e sagas surgiram. Uma dessas séries novas foi As Aventuras de Luther Arkwright, que, com sua mistura de açâo, aventura e suspense e ambientação steampunk  (Idade Moderna com tecnologia futurista) , conquistou o povo e crítica inglesa e americana.

Capa de uma das compilações de As Aventuras De Luther Arkwright. Perceba a presença de elementos clássicos e futuristas na imagem. 

Com o sucesso de sua primeira saga, Bryan Talbot (que antes escrevia HQs curtas para a revista Brainstorm!) foi às alturas, virando um mito no mercado das graphic novels e lançando um clássico atrás de outro, sempre experimentando com temas e situações nunca antes usadas em quadrinhos. Após anos de sucesso com histórias bizarras como Alice in Sunderland, que é uma biografia de Lewis Carroll com elementos de Alice No País Das Maravilhas e que tenta traçar as inspirações do professor de matématica de Sunderland para seu clássico, Bryan voltou a território familiar em 2009, com o lançamento de sua mais recente criação, Grandville

Capa da edição em capa-dura de Grandville. 

Grandville é um thriller noir antropomófico com ambientação steampunk, inspirado nas histórias de Sherlock Holmes e Tintin e influenciado pelos filmes do diretor norte-americano Quentin Tarantino. A saga ocorre em um universo paralelo, onde humanos são uma minoria racial e a França conseguiu dominar o mundo durante as Guerras Napoleônicas. O único país do mundo inteiro livre do domínio da dinastia Napoleão (que, no primeiro livro, já está em seu 12º membro) é a República Socialista da Inglaterra, uma ilhota suja, pobre e cheia de criminosos letais. Ela só conseguiu sua liberdade há 23 anos atrás (a França está sobre o domínio do mundo há mais de 200), e os franceses odeiam tudo que vem de lá. O racismo Franceses-Ingleses era tolerável até três anos antes da história começar, quando um suposto grupo de anarquistas ingleses usou um dirigível cheio de explosivos para destruir a famosa Torre de Robida, uma imponente construção no centro de Paris (agora conhecida como Grandville, por ser a maior e mais importante cidade do mundo), deixando milhares de mortos, e aumentando o preconceito dos habitantes de Grandville contra ingleses a um nível intolerável. 


A história começa com a perseguição e morte misteriosa de Raymond Leigh-Otter, uma lontra que trabalhava para a RSI como socialite na França. Quando a polícia do vilarejo de Raymond supõe um suicídio devido a incrível organização de casa do fidalgo, O texugo Detetive-Inspetor Archibald "Archie" LeBrock, da Scotland Yard (uma cooperativa de detetives ingleses) entra no caso com seu assistente, o rato Roderick Ratzi, e começa a suspeitar de que o suícidio de Raymond foi, na verdade, um assasinato orquestrado e realizado pelo Serviço Secreto da Polícia Imperial Francesa. Suas investigações o levam para Grandville, onde o texugo se adentra em uma uma conspiração política intimamente relacionada ao Incidente Da Torre De Robida.


 Grandville é uma história fantástica, obrigatória para qualquer fã de HQs e/ou contos de suspense. Furries podem estranhar um pouco a arte de Talbot no começo, pois os animais retratados são surpreendentemente realistas, ao contrário do que é normalmente visto na fandom, que contrastam com os humanos "clean" e sem linhas externas dos painéis, que remetem aos trabalhos de Hergé, artista e criador das graphic novels bélgicas de suspense Tintin.


Os humanos de Grandville (chamados de "caras-de-farinha" pelos animais da Paris) não são a única referência a Tintin do livro. Grandville é cheio de referências e homenagens a ilustradores, cartunistas e autores de suspense europeus, especialmente aos ilustradores Albert Robida, que foi um pioneiro em desenhos e ilustrações steampunk,  assim como Talbot foi um pioneiro em graphic novels steampunk com As Aventuras de Luke Arkwright, e o caricaturista Jean Ignace Isidore Gérard Grandville, que assinava seus trabalhos com o pseudônimo J.J. Grandville e que frequentemente desenhava animais antropomorfizados vivendo na bélle époque de Paris, ao mesmo tempo oferecendo sátira política e poesia em suas obras. Um dos personagens mais importantes para a história também é uma enorme referência a Tintin, embora não contarei quem é para não estragar a surpresa.

 

 

Mas, mais do que um excelente thriller e mais do que uma carta de amor a artistas e autores da Europa, Grandville é uma fábula moderna sobre como o governo pode nos manipular facilmente se dermos ouvidos a tudo o que falam e como o nacionalismo e o patriotismo pode ter efeitos críticos na sociedade. O ataque da Torre De Robida foi recém o começo de uma grande trama de sexo, drogas e corrupção que prevalece em todo o livro. Se você quer ler uma história de suspense fantástica e interessante, vá ler Grandville. O livro não foi lançado no Brasil em edição física e nem possui tradução para PT-BR, embora ele e suas duas continuações (Grandville Mon Amour e Grandville Bete Noir) estejam disponíveis na loja Kindle do Brasil. Ter de fazer um curso de inglês para ler uma história tão incrível como Grandville é um sacrifício que vale a pena.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sobre o quê vai ser este blog?

Os anos 80 foram uma época de grande mudança para os quadrinhos estadounidenses. As antes bobas e até toscas histórias de Batman, Super-Homem, Homem-Aranha e outros estavam cedendo espaço para novas séries, com novas idéias e temas e tons mais pesados. As próprias DC e Marvel (especialmente a primeira) adotaram estes estilos em seus quadrinhos da década, dando origem a algumas das mais memoráveis histórias de Batman e companhia. 

A Piada Mortal, história de Batman escrita em 1988 por um grupo de iniciantes da DC na época, é um marco da "nova era" dos quadrinhos. 

Mas, mesmo com tantas inovações na época, o público estava cansado de super-heróis comuns. Todos clamavam por novos tipos de personagem e histórias. Até a época, animais falantes e que andavam em dois pés eram considerados uma coisa boba e infantil, reservada a desenhos da Disney e dos antigos Looney Tunes. Mas, em 1983, o ponto de vista sobre "animais falantes" de grande maioria do EUA mudou graças a uma pequena série de quadrinhos independentes, chamada Albedo Anthropomorphics (Anthropomórficos de Albedo).
Capa da mais recente edição de Albedo (2005), apresentando a personagem principal, Elma Ferna, uma guarda intergalática felina que acaba se adentrando na política corrupta e complicada de seu universo por acaso.  

Com seu universo complexo, personagens cativantes, armas e veículos realistas, comentários sociopolíticos, representações fiéis da vida no exército e uso fantástico de animais antropomorfizados, Albedo cativou todos os leitores de quadrinhos dos EUA e rapidamente se tornou um fenômeno de vendas e crítica. Albedo atraiu uma legião de fãs, que mostrou que animais inteligentes, humanizados, com um nível de desenvolvimento maior do que os presentes em animações da Disney ou da Warner Bros., tinham chance nos quadrinhos e na mídia. Logo, fãs de criaturas como essas começaram a se identificar como "furries" (peludos) e o número de adotantes da identificação cresceu drasticamente na década, motivados pelo crescente número de produtos que também adotavam a classificação e/ou usava animais antropomorfizados em cenários maduros e inteligentes. Mas a  furry fandom, como a comunidade mundial de furries é conhecida, realmente foi às alturas só nos anos 2000, com a ascensão da internet para todos, o que fez pessoas dos mais longíquos cantos do mundo (inclusive o Brasil) conhecerem a cultura furry. 

O termo furry supostamente surgiu na San Diego Comic Con de 1983, em uma sala de discussão sobre Albedo, quando surgiu um debate sobre como as raças animais desenvolvidas da série deviam ser chamadas, já que o termo "funny animal" (animal engraçado/bobo), usado para denominar os personagens animais de desnhos da Disney e Warner Bros., definitivamente não se encaixava nos personagens complexos do universo da célebre saga em quadrinhos. 

Este blog vai ser sobre exatamente isto: Cultura furry. O número de membros da fandom aqui no Brasil ainda é baixo, e, embora eles estejam recebendo um destaque cada vez maior na mídia, muitos furries e não-furries não estão ligados na cultura da fandom em si. Neste blog, eu, Zillion Taborda, aluno do Centro Educacional Casulo e furry com orgulho, pretendo mostrar para o Brasil a cultura de minha "raça" de uma maneira interessante e desenvolvida. Bem-vindos a Animália.